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13 de mai. de 2012

Objetivo de felicidade.

Percebi que não atualizei meu blog em 2012. Triste, pois tenho vários textos para ser publicados. Talvez eu volte a escrever com mais frequência, talvez não. Mas é o que eu quero.

O trabalho como diretor da AIESEC em Curitiba (conheçam a AIESEC, vale a pena) me ocupa muito tempo, mas por outro lado me faz refletir e aprender muito. Reflito mais do que escrevo, é verdade. O curso de Economia na UFPR deveria me ocupar muito tempo também, mas essa ainda não é a realidade, admito.

Bom, deixemos minha vida um pouco de lado. O que quero propor nesse primeiro post de 2012 é uma reflexão, ou que você pense na resposta de uma simples pergunta: qual é o seu objetivo de felicidade?

Soa meio estranho, mas você leu direito. Essa pergunta me veio à mente, e pensei um pouco sobre ela. Se nosso objetivo é ser feliz, o que é felicidade?

A felicidade está nos momentos mais simples da nossa vida, como ver um gol que levaria meu time ao título de um campeonato. A torcida explodindo, os gritos de alegria, os abraços em estranhos ao meu lado, a rede balançando. Ou quem sabe um almoço de Dia das Mães com toda a minha família reunida, no domingo, com seu primo fazendo uma piada, seu pai fazendo o churrasco e seu tio falando sobre futebol.

Mas esses são momentos de felicidade. Eu não trabalho para que isso aconteça. E quando eu falo trabalho, é trabalho literalmente falando. Eu não estudo Economia para poder almoçar com minha família, ou trabalho em uma organização para ver um gol do meu time. Isso são acontecimentos cotidianos, coisas que escolhemos fazer, mas que não são nossos objetivos.

Eu trabalho porque tenho na mente um objetivo de felicidade. E a imagem do meu objetivo de felicidade é me ver velhinho, de cabelo branco e coberto com um cobertor, sentado em uma confortável poltrona na biblioteca (que estará dentro da minha casa), com a lareira acesa e uma xícara de chá ao meu lado, lendo um livro, sem qualquer outra preocupação na vida.

Isso é uma imagem de mais verdadeira felicidade para mim. Porém, eu preciso de muito conhecimento para estar sentado em uma poltrona sem preocupações. Eu preciso ter feito muita coisa para poder ficar sentado em uma poltrona, sem preocupações. Caso o contrário, eu estarei inquieto e, consequentemente, preocupado. Para chegar nessa imagem, eu necessariamente precisarei ter dito a seguinte frase: "Em toda a minha vida, eu fiz por merecer esta poltrona. Eu lutei, não me acomodei, fiz o que minha mente e meu coração mandaram, batalhei por um mundo melhor, para mim e para outras pessoas, eu adquiri conhecimento e transmiti conhecimento. Agora é o momento da minha recompensa: alguns poucos dias sem preocupações, com a sensação de dever cumprido."

Pois bem, é para isso que vivo. Se vai acontecer ou não, é outra história. Depende muito de mim, mas não somente de mim.

E você? Qual é o seu objetivo de felicidade?

3 de out. de 2011

Auto-rotina.

Acordo com meu celular disparando os primeiros acordes de New Divide. São 05:29 e eu não deixo que a música ultrapasse dois segundos de duração. (Talvez por isso eu ainda goste de escutar ela inteira). Normalmente aperto o botão do celular que dá mais cinco minutos de vantagem para o meu sono. São como cinco minutos de prorrogação. O jogo vai até 50. Em certos dias ele vence, mas na grande maioria das vezes, muito relutante, eu desperto. Não me lembro mais de meus sonhos. Minhas pouco mais (ou pouco menos) de cinco horas dormindo não deixam que meu cérebro guarde esse tipo de informação preciosa. Lembro-me em algumas vezes da(s) pessoa(s) com quem sonhei, o que não ajuda muito meu coração.

Viro de barriga para baixo e a essa altura já não tenho mais cobertores à minha volta. Acho que o frio é mais eficiente que meu despertador Nokia. Fico de joelhos, penso por dois ou três minutos em algum aspecto da minha vida, e finalmente me sento à beira da cama. Minha mão esquerda, como quem não tem outra escolha, aperta o interruptor, acendendo uma forte luz branca. Meus olhos ficam indignados: "Ei! Nós deveríamos permanecer fechados por pelo menos oito horas!". Desculpem-me.

Não tenho tempo pra escovar os dentes. Não tenho o hábito de lavar o rosto. Simplesmente deixo minha escova, minha pasta, meu desodorante e meu perfume na mochila. Vou até a cozinha, pego o leite, pego o copo e pego o Toddy (ou Nescau, mas eu prefiro Toddy), nessa ordem. Sou o primeiro a acordar em casa, então não tem café na mesa. Me viro com o achocolatado e, quando tem, como um pedaço de bolo.

5:46. Escuto a van parar em frente à minha casa. Ando até meu quarto, pego minha mochila, pego meu iPod shuffle, prendo-o em minha calça jeans e saio de casa. Vejo o dia (ou a noite) lá fora. Gosto especialmente quando o céu está sem nuvens, mas também gosto quando ainda está noite ou quando está nublado. Não gostar da natureza me parece um tanto errado. Há outras coisas para se não gostar.

Na van, só três pessoas, contando com o motorista. Prefiro sentar à esquerda, nas últimas duas fileiras (preferencialmente a última). Ajeito minha mochila em meu colo e tomo o cuidado para que meus chaveiros de Salvador e da Coca-Cola não fiquem batendo. Coloco os fones do meu iPod em meus ouvidos (primeiro o direito, depois o esquerdo) e passo o resto da viagem ouvindo Linkin Park, Blink 182, Sum 41, CPM 22, Los Hermanos e Legião Urbana, não necessariamente nessa ordem. Me adaptei a dormir na van, então eu durmo, mas não é um sono bom. É só a necessidade de um sono.

Também me adaptei a acordar no momento certo, quando a van está a 3 minutos da universidade. Chego sempre entre 07:00 a 07:15, com ênfase para 07:06. Aviso o motorista: "Vou voltar/Não volto hoje". Entro no prédio e me encaminho para o banheiro. Usava o do térreo até um mês atrás mas, só para mudar a rotina, comecei a frequentar os banheiros do 1º andar. A luz se acende e eu me dirijo ao banheiro preferencial para deficientes. Ali eu posso trancar a porta e não me incomodar com quem chega. Escovo os dentes, passo desodorante e, por vezes, o perfume.

Desço. Converso com dois de meus melhores amigos ou com alguns colegas. Às vezes vamos até a cantina e compramos um café. Às vezes eu faço isso sozinho. Quando tenho aula, entro na sala e me acomodo em uma carteira da última fileira do canto direito, preferencialmente. Frequentemente abro o laptop, abro o Twitter, Facebook e Gmail, nessa ordem (quando a internet deixa). Twittava até um mês atrás, mas por querer evitar alguns tweets (que talvez podem ser daquela(s) pessoa(s) com quem sonhei), deixei de usar assiduamente as redes sociais. Um ou dois tweets por dia, e fim. Às vezes abro o caderno e faço algumas anotações, mas pouca coisa. Decidi ser mais estudioso e anotar mais, quinze dias atrás. Estou surpreso comigo mesmo: estou fazendo isso. Quando não tenho aula, vou para o escritório realizar meus trabalhos ou procuro uma sala vazia para ler meu atual livro. Preferencialmente, sento em uma cadeira estofada. Também tenho minhas salas preferenciais.

No intervalo, mais conversas com dois de meus melhores amigos. Vamos até a cantina, compramos um salgado ou um pão de queijo (preferencialmente o pão de queijo, para eles). Eu peço catchup. Sentamo-nos em uma das mesas da cantina. Por vezes caminhamos pelo campus.

Na volta, quando tenho aula, o processo inicial se repete. Quando não tenho aula, o processo inicial também se repete mas, ultimamente, apenas vou para o escritório.

À tarde e à noite eu não tenho mais rotina. Faço coisas diferentes, vou a lugares diferentes, chego (ou não chego) em casa em horários diferentes. A minha única rotina era abrir meu MSN. Não abro mais. Também não recebo mais mensagens no celular, nem as mando. Não tenho mais alguém pra brigar comigo, alguém com quem rir, discordar ou me sentir bem.

Porém, pensando melhor, tenho uma única rotina, sim. Estabeleci uma rotina, à tarde e à noite. Uma rotina que não tem horário nem local programado, mas que é diária. É a rotina de pensar se foi importante ou não. É pensar se foi verdadeiro ou não. Pensar se foi ridículo ou não. Se foi errado ou não. Se foi. Foi.

Essas palavras não soam como desilusão. Soam como incerteza. Incerteza de tudo o que pareceu ser ou de tudo que realmente foi. O meu 'não sei' nunca esteve tão forte.

Esteve. Foi. Palavras do passado, que se referem ao passado.

Passado.
Não é mais.
Não mais.
Não é.
Foi.

4 de abr. de 2010

Subir, e correr feliz, novamente.

"E como pensei que 2010 seria, ele não mais será. Não sei se por falha minha, erro meu ou simplesmente porque "Deus quis assim". Fato é que tudo deverá ser mudado.

Repentinamente tive que alterar todos os meus planos, tudo que sonhava e traçava.
Minhas metas ainda estão em fase de substituição.

Também tive que alterar meu modo de viver.
Meu corpo ainda reclama por seu toque, por sua mão, por seus lábios, mas ele já está um pouco mais calmo.

Vez ou outra meu coração berra o seu nome, manda-me reclamar tua presença naquele instante.
Dizer a ele que não há possibilidade de você estar ali é como dizer a uma criança orfã que seu pai e sua mãe não podem estar ali, também.

Estou reaprendendo a falar contigo, assim como meus olhos estão reaprendendo a olhar nos teus.

Foi como se eu estivesse correndo sorrateira e alegremente por um campo de lírios, dizendo a tudo e a todos como era bom estar feliz daquele jeito e, sem que ninguém me avisasse, caído no mais profundo poço que ali se encontrava.

Após me recuperar da queda, fiquei um tempo lá no fundo, sentado na escuridão, sem qualquer perspectiva de subir. Agora olho para cima e sei que posso correr pelos lírios novamente, mas a subida é difícil. Não há ninguém lá em cima que me ajude.

Por vezes, durante a subida, eu deslizo. Por vezes o deslize é tão grande que caio, fico sentado novamente na escuridão, mas volto a subir com mais força.

Hoje estou subindo. Falta muito para chegar na metade do poço, mas continuo a subir. Às vezes olho para baixo e tenho vontade de me acomodar novamente na escuridão. Falo a mim mesmo que é bobeira, que lá em cima posso voltar a ser quem eu era, e continuo a subida.

Mas sei que, quando chegar no campo novamente, e começar a correr e dizer a todos o quão bom é ser feliz, não me esquecerei do quão feliz eu fui correndo contigo. "