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9 de jan. de 2010

Entrevista com Pedro Ken

Foto: Jéssica Tokarski
"Em 2009, na última coletiva de imprensa no Couto Pereira, antes da última partida do Coritiba no ano - o catastrófico jogo contra o Fluminense - o jogador Pedro Ken, agora no Cruzeiro, nos concedeu uma entrevista. Publico aqui, então, a entrevista realizada por Lucas Kotovicz (eu!) e Jéssica Tokarski, além da participação de Evelyn Betim."
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Pedro Ken Morimoto Moreira foi atleta do Coritiba Foot Ball Club desde criança. Começou sua carreira nas categorias de base e se tornou um dos melhores jogadores do clube. O atleta passou para o time profissional em 2006 quando jogou a série B. Em 2007, ainda pela segunda divisão, se tornou revelação do time que foi campeão e subiu para a série A. No ano de 2008, Pedro atuou apenas pelo Campeonato Paranaense, pois sofreu uma lesão grave e não pode jogar o Brasileirão. Em 2009 o jogador voltou a defender as cores do Coritiba e brilhar nos gramados brasileiros.

Em entrevista concedida, Pedro Ken fala sobre o início da sua carreira, sua relação com a torcida, companheiros e amigos. Também fala sobre os planos e expectativas para o futuro.


Como foi o início de sua carreira? Como você decidiu ser jogador de futebol?

Eu comecei a jogar futsal em 1994, com seis anos de idade, no Colégio Paranaense e, aos 10 anos, fui convidado pra jogar futebol de campo pelo Coritiba, vindo para cá (no Coritiba) através dos professores Miro e Aramis. Comecei no dente de leite e fui subindo de categoria. Passei por todas as fases da base aqui no Coritiba e acho que desde o momento que eu jogava futsal eu já sonhava em ser jogador.

Você teve dificuldade durante esse processo para chegar no profissional?
Sim, muita dificuldade. Todo mundo acha que ser jogador é fácil e ninguém sabe o que a gente passou. É uma competição muito grande, principalmente aqui no Brasil, que todo menino que nasce quer ser jogador. Então, pra você ter uma ideia, dos da minha idade, só eu que consegui chegar ao profissional. Então, é muito difícil.

Você mantém contato com o pessoal que subiu da categoria de base para o profissional junto com você, como o Keirrison, Marlos e Henrique? Como é sua relação com eles?
Mantenho contato. São meus amigos, a gente cresceu juntos e sempre que posso a gente está se falando, a gente está se ligando e trocando ideia. A gente passou por tudo sempre junto, então não é a distância que vai acabar com isso.

Como foi a experiência de ter ido para a seleção brasileira sub-20? Você pretende chegar à seleção como profissional?
Acho que é a experiência que todo jogador sonhe em ter, chegar numa seleção, estar entre os melhores do país no esporte, na profissão que você atua, principalmente sendo aqui no Brasil, que a concorrência, como eu falei, é muito grande. Foi uma experiência maravilhosa que eu pude ter e espero um dia chegar à seleção principal. É muito difícil, todo mundo sabe, mas a gente vive sonhando e quem sabe, um dia, chegar lá.

Foto: Lucas Kotovicz
Pedro Ken foi destaque do Coritiba na volta à série A em 2007. Chegou a ser sondado por vários clubes nacionais e internacionais, porém permanceceu no Coxa até o fim do ano passado, quando assinou contrato com o Cruzeiro.

Como é a experiência de jogar com o Marcelinho Paraíba, um veterano, que já esteve na seleção brasileira?

É muito bom, ele tem bastante coisa pra passar pra gente que somos mais novos. É um jogador rodado, experiente, já passou por isso (estar na seleção brasileira) e a gente vê nele uma carreira a ser seguida, pelas vitórias que ele teve e espero brilhar o mesmo com a minha.

Você pretende e se empolga com a idéia de ir para o exterior?
Sim, acho que todo mundo tem o sonho de jogar fora do país. Praticamente os melhores jogadores estão lá. É uma coisa diferente, uma cultura diferente. Você está vivendo uma vida totalmente diferente daqui do Brasil e eu sonho um dia em jogar em um time da Europa.

Qual a sua relação com a torcida do Coxa, já que você cresceu nesse time?
Minha relação é muito boa. Eu consegui viver tudo o que eu vivi na base, e depois subir para o profissional em um momento difícil do clube, e juntamente com a torcida, a gente conseguiu ser campeão brasileiro e voltar para a primeira divisão. Então o carinho foi muito grande e é recíproco. Todo o carinho que eles têm por mim eu tenho por eles e eu espero que seja assim durante muito tempo.

Mesmo agora, mudando de time, você acha que continuar igual sua relação com a torcida, assim como todo esse carinho?
Eu acho que sim, até porque eu estou saindo pela porta da frente. Estou saindo em comum acordo com o clube, então vai ser bom pra mim, vai ser bom pro clube e lógico que não vejo motivo nenhum pra torcida sentir alguma coisa de ruim contra mim, porque eu sempre dei meu melhor. Toda vez que eu entrei dentro de campo eu procurei representar tudo isso da melhor forma.

Quanto à lesão que você teve, como foi sua fase em que você ficou fora? Pra voltar a jogar, foi muito complicado? Como foi a sua recuperação? Você pensou que seu rendimento poderia não voltar a ser como antes depois que você se recuperasse?
É muito difícil. Só que viveu isso sabe do que eu estou falando. A carreira de jogador é curta, então ficar praticamente um ano fora conta como se fossem três, quatro anos de uma pessoa normal sem trabalhar. Então, imagina como que é. É difícil também não só a recuperação, mas quando você volta a jogar, até ter a confiança de novo, até voltar a jogar o que você jogava, demora um certo tempo. Você vive momentos difíceis, mas não pode perder a confiança e a perseverança. Tem que estar sempre acreditando porque uma hora as coisas voltam a acontecer para quem tem qualidade, para quem já viveu momentos bons.

13 de dez. de 2009

Best sellers estrangeiros influenciam na leitura dos jovens

Grandes títulos estrangeiros, como Harry Potter, fazem com que a leitura seja benéfica se analisada como entretenimento. Porém, o grande número de leitores não significa uma melhora da escrita

Um menino bruxo com uma cicatriz. Provavelmente 99,9% das pessoas que lessem tal descrição saberiam afirmar a quem ela pertence. Esse é o mínimo impacto da série Harry Potter, escrita por J. K Rowling. Os setes livros da série tomaram os lugares das estantes de crianças, adolescentes, adultos e até de pessoas idosas. O fenômeno literário de Rowling surgiu em 1997 e teve seu ápice dez anos depois, com o lançamento do sétimo e último livro da série. Entrando para o rol da fama literário está a série Crepúsculo, escrita por Stephenie Meyer. Os quatro livros da série figuram, hoje, entre os dez mais vendidos do Brasil. O primeiro mais vendido, porém, é O Símbolo Perdido, mais novo romance de Dan Brown, autor do best-seller O Código da Vinci. A literatura estrangeira vem concretizando seu lugar no cenário literário brasileiro, e o principal público-alvo das editoras e autores são os jovens.


A editora americana de Harry Potter, Scholastic, recentemente publicou um relatório no qual se constatou que 51% dos leitores americanos de Harry Potter entre 5 e 17 anos não tinham o hábito da leitura por diversão antes de começar a ler a série mágica, e que hoje isto acontece. O mesmo acontece no Brasil. O estudante Guilherme Freitas, de 17 anos, afirma que também não possuía o hábito de ler antes de começar a ler Harry Potter. “Em 2001 assisti Harry Potter e a Pedra Filosofal (primeiro filme da série) no cinema, e gostei. Li os quatro primeiros livros e peguei o gosto pela coisa”, conta.


Foto: Lucas Kotovicz

Os sete livros da série Harry Potter venderam mais de 480 milhões de exemplares por todo o mundo: fenômeno estrondoso


Embora os grandes best-sellers tenham dominado a leitura dos jovens, há ainda quem não goste de ler. Wiston Correia, também estudante, 16, diz que prefere os seriados aos livros. “Acho que a história de Crepúsculo é voltada para o público feminino. Já Harry Potter não tem uma história que se possa basear com fatos pertinentes à realidade”. Wiston admite que a leitura deve ser incentivada, mas que perdeu seu interesse com o passar do tempo. “Ler exige paciência e concentração.”, afirma.


O caso de Wiston é atípico se comparado com um universo mais amplo de leitores, porém o fato de ele não gostar de ler não significa que ele não escreva bem. A doutora em Sociologia pela UFPR, Katya Cristina de Lima Picanço, diz que o vício provocado pela leitura dos best-sellers não acarreta na melhora da escrita dos jovens. “A melhora na escrita e na argumentação está relacionada com o desenvolvimento de uma conscientização quanto às regras necessárias à escrita e com um constante debate de idéias que deve percorrer as escolas no momento em que há o incentivo à leitura. São dois fatores
que devem caminhar juntos com a formação dos leitores: novos leitores
com novos debatedores e escritores.”, diz Katya.


“Em 2001 assisti Harry Potter e a Pedra Filosofal (primeiro filme da série) no cinema, e gostei. Li os quatro primeiros livros e peguei o gosto pela coisa.”

Guilherme Freitas, estudante.

Cultura nacional

Se por um lado há muitos jovens que gostam de ler livros estrangeiros, por outro há pouquíssimos deles que preferem as obras nacionais. E para piorar a situação, os poucos que as leem, não gostam. Wiston declara: “Este ano eu tinha que ler sete livros para o colégio. Não li nenhum.” Ele é estudante do segundo ano do ensino médio de um colégio particular e alega que a maioria dos seus colegas de turma também não leu os livros. “Uma colega leu dois livros que foram cobrados na prova de Literatura. Ela achou ambos bastante chatos e cansativos”, diz Wiston. Guilherme também fala que não gosta dos livros brasileiros. Ele diz que prefere títulos estrangeiros aos nacionais devido a um aspecto cultural. “A cultura brasileira em relação a livros é muito pouco avançada, muito fraca. As histórias brasileiras não possuem conteúdos se comparadas com as estrangeiras.”, declara.


“Não devemos proibir a literatura estrangeira, mas sim incentivar e aumentar o acesso à literatura nacional.”

Katya Cristina de Lima Picanço, socióloga.


Katya Picanço diz que a ascensão da leitura dos best-sellers internacionais por parte dos jovens está dividida em dois processos: o primeiro se dá pelo aumento na oferta dos livros por conta da busca das grandes editoras em cativar o público jovem; o outro está relacionado com um movimento nas escolas públicas e privadas, as quais estão influenciando na formação de novos leitores. Porém, o acesso aos livros nacionais, assim como sua divulgação, não é dos melhores. “A leitura dos best sellers internacionais aos livros nacionais, pelos jovens, prejudica a cultura literária nacional se considerarmos que somente este tipo de literatura é a que está mais acessível. Não devemos proibir esta literatura, mas sim incentivar e aumentar o acesso à literatura nacional.”, afirma a socióloga.


Vício

Os viciados esperam ansiosamente pelo lançamento de cada volume das séries e, quando finalmente colocam as mãos no livro, devoram as páginas em pouquíssimo tempo. Guilherme Freitas alega ter lido em dois dias Harry Potter e a Ordem da Fênix, quinto e mais volumoso livro da série, com pouco mais de 700 páginas. “Demorei dois anos para ler o primeiro e o segundo livro. Porém, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (terceiro livro da série) eu li em duas semanas e Harry Potter e o Cálice de Fogo (quarto livro da série) eu li em uma semana.” Para Guilherme, o fator que fez com que ele continuasse e tivesse vontade de ler por tantas horas foi a magia da história. Ele começou a ler quando ainda era criança, aos 11 anos. Hoje está no sétimo livro, no qual o protagonista, assim como ele, tem 17 anos. “A história é interessante, apesar de ser meio infantil, mas com o decorrer dos livros ela vai se tornando um pouquinho mais adulta, os personagens vão evoluindo, ficando mais velhos.”, diz.


Katya acredita que a leitura dos grandes livros internacionais é benéfica quando se volta para o entretenimento. “O conteúdo destes livros não contêm nenhuma defesa da exclusão e dos preconceitos em geral, o que não os torna maléficos”, conclui Picanço.